Os Sofistas

A Escola de Atenas Raphael
Raphael (1483 - 1520) - 500 × 770 cm - Vaticano

O meu amigo Quinta enviou mais um excelente texto sobre os filósofos gregos, desta vez sobre os criadores da retórica e oratória, conhecidos como Sofistas. A técnica do Sofismo é muito utilizada em nosso mundo "real" e, ainda hoje, desperta grande interesse. Segue o texto onde, na conclusão, é citado o paradóxo do advogado. 

O ideal máximo da lógica é a coerência. A lógica foi sistematizada por Aristóteles, e se constituiu até o começo da idade moderna como matéria prima principal ao lado da teologia e da filosofia.

Aristóteles foi discípulo de Platão, que mantinha uma escola em Atenas denominada Academia. Ali, talvez, Platão o tenha levado a gostar das formas coerentes de pensamento, motivando-o a lógica. Contudo, Aristóteles só veio a elaborar seu sistema quando já estava afastado do mestre. Seus discípulos reuniram todos os seus trabalhos sob o título de Organon (Instrumento), como um meio de chegar à coerência do pensamento. Durante estes trabalhos, Aristóteles deparou-se com todo o acervo de pensamentos anteriores e ele e viu-se, então embaraçado com uma série de contradições, algumas aparentes e outras reais

Estas contradições tomaram vulto a partir dos sofistas. Diante disso, o filósofo reagiu elaborando o primeiro sistema lógico. Os Sofistas foram pensadores do século V a.C, e iam de cidade em cidade ensinando a troco de dinheiro. Ensinavam como atacar os adversários em juízo e como sair vencedor nas discussões. Nesta tarefa não se preocupavam com qualquer tipo de lógica. 

A única regra era sair vitorioso. A propósito vejamos uma argumentação em juízo entre Protágoras e seu discípulo Euatlo. Protágoras havia combinado com Euatlo ensinar-lhe oratória mediante certa quantia, que seria paga da seguinte maneira: metade ao terminar a última lição e a outra metade quando discípulo tivesse ganho a primeira causa nos tribunais. Entretanto o pagamento restante ia-se prolongando. Protágoras começou a recear a não mais receber o que lhe era devido. Resolveu, por isto, levar o discípulo ao Tribunal.

Sua argumentação resume-se no seguinte: 

“De qualquer maneira terá que pagar, pois se perder a causa, a decisão do Tribunal, é claro obrigá-lo-á a me pagar. Se, porém, ele ganhar a causa, terá que me pagar do mesmo modo por força do acordo que tem comigo. Em qualquer dos casos, portanto, Euatlho terá que saldar a dívida” 

O velho sofista grego não contava com o aproveitamento didático do ex-discípulo que, diante do mestre, assim se defendeu: 

“Se ganhar este processo, nada terei que pagar, porque é essa a decisão do Juiz. Se perder, nada terei que pagar, por que assim ficou estipulado no meu acordo com Protágoras. Em qualquer caso nada ficarei devendo”.

Em sua opinião, quem está sofismando, Protágoras ou Euatlo?
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