J.M. Coetzee - Mecanismos Internos

Literatura
J.M. Coetzee - Mecanismos Internos - Ensaios sobre literatura (2000 - 2005) - Tadução de Sergio Flaksman - 360 páginas - Editora Companhia das Letras - Lançamento 2011  (ler aqui trecho em pdf disponibilizado pela editora).

O que podemos esperar de um livro que reúne críticas literárias escritas por um autor que foi vencedor do Nobel de literatura em 2003 e também de dois prêmios Booker Prize com "Vida e Época de Michael K" em 1983 e "Desonra" em 1999. Eu certamente esperava muito, em parte por considerar o sul-africano John Maxwell Coetzee um dos melhores ficcionistas vivos da atualidade e também pela expectativa de conhecer os tais mecanismos que poderiam ter influenciado na formação da sua obra. No entanto, o que mais me surpreendeu nas resenhas de Coetzee foi justamente a simplicidade e até mesmo humildade com que  desenvolveu os 21 textos integrantes deste Mecanismos Internos. Nenhum malabarismo intelectual ou estrelismo tão característico de alguns críticos que parecem esquecer que o objeto principal da literatura não é a resenha e sim a obra resenhada.

Como professor, tradutor e pesquisador, além obviamente de autor consagrado, Coetzee  está plenamente habilitado a comentar literatura e os seus ensaios, quase todos publicados na New York Review of Books, seguem uma fórmula equilibrada entre a resenha de divulgação e o ensaio crítico mais aprofundado, sempre com respeito ao trabalho do autor e a inteligência do leitor. Mesmo quando discorda do valor literário de determinado autor celebrado como Sándor Márai, por exemplo, Coetzee o faz após uma análise completa da biografia, estilo e época. Quando comenta sobre o alcoolismo de William Faulkner é no sentido de explicar o contexto de criação de seus romances e as dificuldades financeiras que originaram a elaboração de roteiros para Hollywood.

Um livro que mostra a importância e também ajuda a entender o significado de uma resenha bem escrita. Ver abaixo a relação completa dos 21 ensaios que cobrem épocas e estilos muito diferentes, da primeira metade do século XX até os autores contemporâneos.
Italo Svevo
Robert Walser
Robert Musil, O jovem Törless
Walter Benjamin, Passagens
Bruno Schulz
Joseph Roth, os contos
Sándor Márai
Paul Celan e seus tradutores
Gunter Grass e o Wilhelm Gustloff
W. G. Sebald, After Nature
Hugo Claus, poeta
Graham Greene, O condenado [Brighton Rock]
Samuel Beckett, os contos
Walt Whitman
William Faulkner e seus biógrafos
Saul Bellow, os primeiros romances
Arthur Miller, Os desajustados
Philip Roth, Complô contra a América
Nadine Gordimer
Gabriel García Márquez, Memórias de minhas putas tristes
V.S. Naipaul, Meia vida
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