João Tordo - As três vidas

Literatura portuguesa
João Tordo - As três vidas - Editora Língua Geral - 608 páginas - Lançamento 2010 (ler aqui o primeiro capítulo).

Vencedor do prêmio José Saramago 2009 e finalista do Portugal Telecom 2011, este terceiro romance do jovem autor português João Tordo é difícil de definir, pois através da misteriosa história de Antônio Augusto Millhouse Pascal, uma espécie de psicanalista especializado em hipnose induzida por drogas químicas e narrada pelo seu secretário particular, acaba se confundindo com os principais eventos políticos do século XX, tais como a Segunda Grande Guerra e as revoluções da América Central, pois os "pacientes" da estranha terapia de psicanálise são todos originários de setores da inteligência da Gestapo, CIA e Stasi, entre outros.

Em contraponto ao suspense gerado pelas sinistras atividades de seu empregador, o protagonista se envolve afetivamente  com os três netos de Millhouse Pascal: Gustavo, Camila e Nina. Especialmente por Camila, uma adepta do funambulismo que, como eu descobri durante a leitura deste romance, é uma arte de origem circense com base em habilidades de equilibrismo e que consiste em caminhar sobre uma corda tensionada em posição elevada, vulgarmente conhecida como "corda bamba". Esta metáfora sobre a precariedade das noções de ética e moral do protagonista é exercitada com inteligência por João Tordo que evidentemente sabe como contar uma boa história.

Em sua busca pelo equilíbrio o protagonista acaba descobrindo que "a paz é um estado de amnésia, uma anestesia local que provoca não uma erosão, mas um eclipse do passado. Se o homem pudesse viver o eterno presente, seria eternamente feliz, ou coisa que o valha (...)".
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