As estranhas flores de Georgia O’Keeffe

Jimson Weed/White Flower Nº 1 (1932) e Black Iris III (1933)

Georgia O’Keeffe (1887-1986) foi uma das primeiras pintoras a conquistar reconhecimento mundial dos críticos e do público em geral com suas imagens inovadoras que desafiavam as percepções da época e marcaram o início do movimento modernista norte-americano. Ela é conhecida por suas representações realistas de paisagens da região do Novo México e suas misteriosas flores cheias de simbolismo. A imagem da esquerda que abre esta postagem, “Jimson Weed, White Flower No. 1”, é um lindo exemplo do seu estilo, uma obra que estabeleceu em 2014 um recorde para um quadro produzido por uma mulher ao ser vendido em um leilão da Sotheby’s, em Nova York, por US$ 44,4 milhões. Segundo a Sotheby’s, antes o recorde para uma artista pertencia à americana Joan Mitchell, por sua obra "Untitled", vendida por US$ 11,9 milhões. A pintura fazia parte de um trio, posto à venda pelo museu de Santa Fé, no estado americano do Novo México, onde Georgia O'Keeffe morreu em 1986, aos 98 anos.

Jack in the Pulpit Nº 3 e Nº 4 (1930)

Em 1930 criou uma série de seis quadros chamada "Jack-in-the-Pulpits", uma planta da família do comigo-ninguém-pode, iniciando com uma forma realista até isolar o detalhe do estame, o órgão reprodutor da flor, por meio de abstrações. Cinco exemplos desta série estão expostos no National Museum of Gallery (ver detalhes no site do museu clicando aqui). Há uma tentação simplista de considerar as abstrações de Georgia O'Keeffe como representações de órgãos sexuais femininos, principalmente para os críticos da época que associavam a obra ao seu comportamento libertário, contudo os símbolos florais são mais complexos e ainda hoje provocam novas interpretações. Embora as feministas tenham tentado associar Georgia O'Keeffe como uma das representantes do movimento, ela sempre recusou ser enquadrada como um ícone da arte feminista ou cooperar com qualquer projeto deste tipo. Ela não gostava de ser chamada de "mulher artista", preferindo ser considerada como um "artista".

Oriental Poppies (1928)

Como exemplo da influência da fotografia na sua arte, em "Oriental Poppies", O'Keeffe nos oferece, em 1928, praticamente um efeito de "zoom" digital, isolando e ampliando duas flores de papoula. Uma explosão de cores brilhantes em um lindo efeito hipnótico. O vermelho forte e laranja como as cores principais das pétalas. O centro oco e os contornos interiores das flores em um roxo muito escuro. A textura do acabamento aveludado das pétalas acentua a vitalidade das flores. Talvez a melhor definição para as representações florais seja da própria artista:
"Uma flor é relativamente pequena. Todo mundo tem muitas associações com uma flor — a ideia de flores. Você estende a mão para tocar a flor — inclina-se para a frente para cheirá-la — talvez toque com seus lábios quase sem pensar — ou a ofereça a alguém para agradá-lo. Ainda assim — de certa forma — ninguém vê uma flor — realmente — é tão pequena — não temos tempo — e ver leva tempo, assim como ter um amigo leva tempo... Então eu disse para mim mesma — vou pintar o que eu vejo — o que a flor é para mim, mas eu vou pintá-la grande e eles ficarão surpreendidos ao levarem tempo para observá-la — Vou fazer até os nova-iorquinos ocupados perderem um tempo para ver o que eu vejo nas flores..." - Georgia O'Keeffe para o catálogo da exposição "An American Place"
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