Nobuyoshi Araki, um fotógrafo no limite entre a arte e a perversão

Fotografia japonesa
Foto de Nobuyoshi Araki - Yoko Araki

O fotógrafo Nobuyoshi Araki é um dos artistas contemporâneos mais controversos no Japão onde sua obra é muitas vezes criticada por ser confundida com pornografia. A foto que abre esta postagem desmente esta avaliação e é uma evidência de sua sensibilidade ao associar nos olhos melancólicos da modelo, sua falecida esposa Yoko Araki, um raro magnetismo que rouba completamente a nossa atenção. Na verdade, a relação com Yoko se transformou em uma das expressões artísticas mais bonitas da história da fotografia. Nobuyoshi publicou em 1971 um livro com fotos dela tiradas durante a lua de mel e intitulado "Sentimental Journey" (ver imagens abaixo). O livro revelava sem retoques a intimidade do casal de forma sensual e verdadeira. Em 1990 Yoko veio a falecer de câncer e as fotos de seus últimos dias foram publicadas em outro livro publicado em 1991 e intitulado "Sentimental Journey/Winter Journey". Nobuyoshi Araki é um dos fotógrafos mais populares e produtivos da atualidade no Japão e no mundo.

Sentimental Journey
Fotos de Nobuyoshi Araki - Livro "Sentimental Journey" (1971)

É claro que a fama de pornógrafo não é totalmente sem sentido, basta uma rápida pesquisa no Google para encontrarmos farto material que aborda a mulher como objeto sexual em práticas de "bondage", uma espécie de fetiche sadomasoquista que consiste em imobilizar de forma consentida a parceira por cordas. Os exemplos abaixo são o que encontrei de mais suave neste campo. Bem, o próprio fotógrafo não parece se preocupar muito com as acusações de movimentos feministas e da sociedade japonesa em geral sobre este lado mais polêmico de sua produção que pode ser vista no site oficial ou na página do facebook, sem censura (pelo menos até agora).

fotos de bondage
Fotos de Nobuyoshi Araki, prática de "bondage"

Não é fácil para um artista se manter na vanguarda por tantos anos, principalmente em um país tradicional como o Japão, é preciso arriscar a carreira todos os dias e manter a maior veracidade possível. Hoje, a sua fotografia é considerada um ícone pop em todo o mundo e exerce influência em várias áreas. Na moda, por exemplo, a revista Vogue o chama de "fetiche oriental" em matéria sobre ensaio de uma coleção para a Dior. A cantora islandesa Björk também é admiradora do trabalho de Nobuyoshi Araki e já serviu como uma de suas modelos (ver uma série de fotos desta parceria neste link), ele foi o fotógrafo do encarte do álbum de remixes dela de 1997, "Telegram".

Sacchin (1964)
Foto de Nobuyoshi Araki, Sacchin (1964)
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